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Dólar sobe e supera R$ 5,10 com piora de pessimismo sobre economia global

Dólar sobe e supera R$ 5,10 com piora de pessimismo sobre economia global
O dólar subia 1,11%, cotado a R$ 5,132, por volta das 9h25 desta segunda-feira (9), refletindo uma disseminação do pessimismo entre investidores em relação à economia global e uma aversão a riscos. Sinalizações de altas de juros pelo Federal Reserve na casa dos 0,5 p.p. na última semana e o dado fraco de exportações da China aumentaram os temores de uma desaceleração econômica. O foco do mercado nesta semana está na divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI na sigla em inglês) dos Estados Unidos referente a abril, um indicador de inflação importante que deve dar mais pistas sobre os próximos passos do ciclo de alta de juros no país. Já no Brasil, o evento mais importante será a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, a medida oficial de inflação do Banco Central. Com o dado, o mercado espera ter mais clareza sobre a próxima alta de juros já sinalizada pela autarquia, e se ela realmente encerrará o ciclo iniciado em 2021. Tanto em relação ao dado brasileiro quanto ao norte-americano, o mercado buscará sinais sobre um possível pico de inflação, o que facilitaria, no caso brasileiro, o fim do ciclo de alta de juros com uma elevação menor em junho e, no dos Estados Unidos, altas menores nas próximas reuniões, impactando menos a atividade econômica. O Banco Central fará neste pregão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de julho de 2022. Na semana anterior, o dólar avançou 2,63%, fechando na sexta-feira (6) aos R$ 5,073. Já o Ibovespa teve uma queda semanal de 2,54%, chegando aos 105.134 pontos. Pessimismo global O instigador mais recente da aversão global a riscos foi a alta de juros nos Estados Unidos, anunciada pelo Federal Reserve na quarta-feira (4). Apesar de descartar altas de 0,75 p.p. ou um risco de recessão, a autarquia sinalizou ao menos mais duas altas de 0,5 p.p. Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança, mas prejudica as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas. Junto com uma série de elevações de juros pelo mundo, os lockdowns na China para tentar conter a Covid-19 aumentam as projeções de uma forte desaceleração econômica, prejudicando os mercados. A guerra na Ucrânia e seus efeitos inflacionários com disrupções de cadeias e sanções, em especial em commodities como o petróleo, também agravam o quadro. Após a União Europeia anunciar um plano para proibir as importações de óleo russo, o petróleo voltou a superar a casa dos US$ 110 o barril. Efeitos no real Retornando aos R$ 5, o dólar reverteu parte dos ganhos que o real obteve nos primeiros meses do ano devido a uma combinação de fatores que influencia no fluxo de compra e venda do dólar. Ao CNN Brasil Business, especialistas associaram essa valorização recente a dois principais fatores: a perspectiva de altas maiores de juros nos Estados Unidos e os temores em relação aos lockdowns estabelecidos em uma série de cidades economicamente relevantes na China. Os juros norte-americanos maiores tendem a atrair investimentos para o mercado de títulos do Tesouro do país, retirando capital de mercados considerados mais arriscados que o dos Estados Unidos, caso do Brasil. Já as medidas de controle de disseminação da Covid-19 na China, que afetam cidades como Xangai e Pequim, tendem a reduzir a demanda da segunda maior economia do mundo por commodities, prejudicando seus principais fornecedores, entre eles o Brasil, e influenciando negativamente nos preços desses produtos.


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